sábado, 31 de maio de 2008

Justiça Eleitoral quer calar a internet. - No passarán!

por Antônio Mello

Os blogs sobre política têm uma árdua batalha pela frente: a Justiça Eleitoral quer calar a internet, censurá-la. Quer não, já censurou. O Blog do Pedro Dória foi censurado, como ele denunciou neste post:

Este Weblog lançou, há alguns meses, uma campanha pedindo que um deputado federal se lançasse candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro. Aconteceu e ele é candidato.

Hoje, o deputado foi intimado por conta do banner que este e outros blogs publicam em apoio a sua candidatura. O TRE-RJ exige que seja retirado do ar. Em caso contrário, corre o risco de ter sua candidatura cassada.

Nenhum político paga por este banner. É uma declaração de voto pessoal de minha parte. O banner leva a um argumento pela sua candidatura. É o meu direito como cidadão de manifestar o que penso, qual o caminho que desejo para minha cidade. Ninguém deve ser punido porque exerci meu direito de cidadão em uma democracia de manifestar minha opinião.

Mas a Justiça considerou que deve impor limites ao meu direito de expressar minha opinião. É um fato grave.

O Weblog é um veículo jornalístico. Eu sou jornalista. O gesto do Tribunal é uma censura à liberdade de imprensa.

Infelizmente, parece que a Justiça Eleitoral não entende nada de internet. Porque só quem não entende nada de internet pode pretender censurá-la, proibir a livre manifestação dos blogs e sites.

Olham para a internet, vêem uma zebra e passam horas, dias, meses discutindo se ela é um animal preto com listras brancas ou branco com listras pretas, para, ao final, concluir por osmose que se trata de um burro com pijama listrado...

A medida é tão absurda que consegue ser ao mesmo tempo oxítona, paroxítona e proparoxítona: infeliz, inaplicável e esdrúxula (ou estúpida – o leitor escolhe).

Quer dizer então que o candidato que tiver banners ou material de propaganda espalhados pela internet, em locais que não sejam aqueles determinados pelos senhores do TRE, poderão ter suas candidaturas impugnadas?

Pois eu lanço às Excelências a seguinte questão: e se um candidato arregimentar pessoas para que criem blogs e sites e neles façam propaganda descarada, deslavada e continuada de um adversário para impugná-lo, como fica?

Senhores, não confundam o centro com seu entorno (existe até uma expressão popular para isso) e corrijam a medida. Suas Excelências estão corretíssimas quando proíbem o spam, não só via email como via SMS. Mas erradíssimas quanto à censura (esta é a palavra) aos blogs e sites. Só vai a um blog ou site quem quer. Os blogs, senhores, são páginas pessoais, de opinião (esta a razão da existência de milhões deles mundo afora), com possibilidades de comentários.

No estado democrático em que vivemos, com que direito os senhores querem cassar a palavra dos cidadãos?

A blogosfera não pode ficar calada diante de tal absurdo. O que vocês acham?

Fonte: Blog do Mello


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Na Palestina...

PRESO E DEPORTADO

O professor estadunidense Norman Finkelstein
foi preso e deportado ao chegar ao aeroporto
Ben Gurion, em Tel Aviv.

O professor e escritor estadunidense Norman

Finkelstein foi preso e deportado ao chegar
ao aeroporto Bem Gurion, em Tel Aviv.

O professor e escritor estadunidense Norman

Finkelstein, filho de sobreviventes do
Holocausto, foi preso e deportado
ao chegar ao aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv.

O professor e escritor estadunidense Norman

Finkelstein, filho de sobreviventes do
Holocausto, autor do best seller,
A Indústria do Holocausto, foi preso e
deportado ao chegar ao aeroporto
Ben Gurion, em Tel Aviv.

Finkelstein queria visitar Gaza para se inteirar sobre a situação dos palestinos sob o brutal bloqueio israelense.

O professor Norman Finkelstein foi demitido da
Universidade De Paul, em Chicago, no ano passado,
depois de intensa campanha do lobby judaico.

E ainda há quem acredite que Israel é um
Estado democrático.Se nem os judeus podem
abrir a boca, imagine os palestinos...

Israel é tão democrático quanto o foi a
África do Sul durante o aparheid!

SÓ RESTA CHORAR

O arcebispo sul-africano Desmond Tutu,
Prêmio Nobel da Paz, está na Palestina
Para conduzir uma investigação, a pedido
da ONU, sobre o massacre de Beit Hanoun.

Ali, em novembro de 2006,os israelenses
massacraram 19 civis,incluindo cinco
mulheres e oito crianças em suas casas.

Indagado sobre a situação em Gaza, que
Sofre com o bloqueio brutal imposto por
Israel, o arcebispo declarou estar
Horrorizado.

“O que está acontecendo em Gaza é inaceitável.
Já vimos e ouvimos o suficiente. Só nos resta
Chorar”.

Cisjordânia também sofre com bloqueio


Quem pensa que somente Gaza sofre com o
Bloqueio israelense engana-se. A brutalidade
começa a fazer-se sentir na Cisjordânia.

Ali, os israelianos (governantes arianos de Israel)
iniciaram também um bloqueio não menos brutal.

Implantaram mais de 600 postos de controle para
Impedir a circulação de palestinos.

A informação é do escritório de Asuntos Humanitarios
nos Territorios Palestinos da ONU.

Fonte: Blog do Bourdoukan

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Para o amor da minha vida!

O amor de sua vida

Por Marta Medeiros

Por que você ama quem você ama?

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece a razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não tem a maior vocação para príncipe encantado, e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita de boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara? Não pergunte para mim.

Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem o seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar (ou quase). Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém. Com um currículo desse, criatura, por que diabo está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito do amor da sua vida!


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terça-feira, 27 de maio de 2008

Cachoeira do Tabuleiro(MG) ameaçada por mineroduto!

Águas de Mitterand

Phydia de Athayde

Quando a ex-primeira-dama da França Daniele Mitterand foi pela segunda vez a Conceição do Mato Dentro, no interior de Minas Gerais, o termômetro beirava os 40 graus. Era fevereiro de 2005, e o clima abafado da cidadezinha mineira, hoje com cerca de 18 mil habitantes, não permitiu que madame Mitterand mantivesse a agenda programada. Antecipou sua partida, mas não perdeu a viagem. Sua visita foi decisiva para que Conceição conseguisse da Unesco o título de reserva mundial da biosfera. Na esteira do reconhecimento internacional, a cidade pôde se firmar como a “capital do ecoturismo” no estado, por conta das cachoeiras, nascentes e trilhas que marcam sua paisagem, encravada na Serra do Espinhaço, divisor de duas bacias hidrográficas de primeira grandeza, a do rio São Francisco e a do rio Doce.

Terra de muitas águas – principal preocupação da ambientalista francesa, viúva do ex-presidente François Mitterand –, mas também de muito minério de ferro. Um bilhão de toneladas, calculam os especialistas, o suficiente para atrair a atenção de uma das maiores mineradoras do mundo, a Anglo American, e a brasileira MMX, do empresário Eike Batista, prestes a iniciar ali um projeto bilionário, também no sentido financeiro, de extração de minério para exportação.

Nos planos da gigante mundial, hoje sócia majoritária no negócio, um mineroduto de 553 quilômetros, cuja licença foi dada pelo Ibama, de Minas até o porto de Açu, atualmente em obras na cidade de São João da Barra, no Rio de Janeiro, de onde a produção seguirá para ser processada em siderúrgicas nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Batizado de MMX Minas-Rio, o projeto escoará aproximadamente 26,5 milhões de toneladas de minério por ano.

Com o aval do governador Aécio Neves, o empreendimento segue adiantado, antecipando-se às licenças ambientais para a mineração, o que causa arrepios em donos de pousadas e ambientalistas locais, preocupados com o impacto negativo que um investimento desse porte poderá trazer à região. Para estes, mineração e ecoturismo não são uma rima, muito menos uma solução para a cidade, uma das mais pobres do estado.

Embalados pelo aquecimento da economia local decorrente das obras de prospecção, comerciantes locais – inclusive os donos dos hotéis e pousadas voltados para o chamado turismo de negócio – consideram que ao menos até aqui os ganhos superam em larga medida as perdas. A prefeitura considera que fez bom negócio, ao retardar o ‘sim’ ao projeto e com isso aumentar seu poder de barganha. Em 10 anos, a população de Conceição deverá passar dos 25 mil habitantes, o que também não será ruim para os negócios ou para os cofres da cidade.

O mesmo não diz quem vive de oferecer apenas o contato com a natureza, o silêncio e a quietude mineira. “Depois do anúncio da chegada da mineradora, tivemos uma boa baixa. No feriado de Corpus Christi do ano passado, eu repassava vagas a pousadas vizinhas. Este ano estou com vagas em aberto”, lamenta Sérgio Taets, proprietário da Pousada Gameleira, a 19 quilômetros da cidade. “Os empresários tinham que se unir mais. Por estar havendo um fluxo semanal, eles não se preocupam com o futuro. Há uma diferença muito clara entre o turismo de negócio e o ecoturismo”, alerta Taets.

O prefeito de Conceição do Mato Dentro, Sebastião Soares dos Santos (PSDB), demorou para assinar a Declaração de Conformidade com o Empreendimento, fundamental no processo de licenciamento ambiental. Conseguiu que 450 mil reais fossem aplicados na recuperação do único hospital da cidade, que estava em estado crítico. Também obteve a reforma de um colégio, a ser transformado em sede do Senai, para capacitação de mão de obra. Com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) ruim, o 665º entre os 853 municípios mineiros, acordos como esse são uma tentativa de reverter o quadro.

“Foi um ato pioneiro no Estado. Ao demorar para dar o aval, a prefeitura conseguiu garantias da empresa”, reconhece a superintendente-executiva da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda), Maria Dalce Ricas, referindo-se a um protocolo de intenções com 54 itens assinado por ambos. Ela critica, contudo, a maneira como a empresa coordenou obras e licenças.

Para o sistema MMX Minas-Rio funcionar plenamente, só falta o licenciamento para as jazidas de Conceição do Mato Dentro. O mineroduto e o porto estão em estágios mais avançados, e não fazem sentido sem o minério da cidadezinha. “O processo é ruim, pois discutimos sobre fato consumado. Por isso, consideramos que a emissão da licença é praticamente irreversível”, avalia Ricas, que não se posiciona contra o empreendimento. Como a prefeitura, espera que o diálogo com a empresa traga também ganhos ambientais à região. “Claro que haverá impactos negativos, pois são 2 mil hectares ocupados. A empresa anunciou que criará uma reserva particular de patrimônio natural, esperamos que tenha no mínimo 20 mil hectares”, afirma.
A superintendente da associação é cética quanto à situação das serras que são reserva da biosfera e têm pontos de interesse como a cachoeira do Tabuleiro, terceira maior do País, com 273 metros de altura. “O reconhecimento da Unesco nos deu projeção, mas o título não foi além desse destaque. Na prática, a Serra do Espinhaço continua sujeita aos mesmos danos. E a mineração ambientalmente responsável não é o maior flagelo ambiental de Minas Gerais”, avalia. Ela menciona as atividades minerais irregulares e sem fiscalização, “um verdadeiro saque”, os incêndios criminosos, o pisoteio de gado e o desmatamento causado pela extração de madeira para fornecer carvão vegetal a mineradoras como os principais problemas da região.

Envolvida no processo de licenciamento, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) constituiu uma equipe multidisciplinar para tratar do assunto. Como o potencial poluidor é considerado alto pela Semad, a secretaria tem um ano para emitir o parecer, prazo que expira em três meses e meio. O parecer final da Semad será apreciado pelo Conselho de Política Ambiental (Copam), formado por integrantes de órgãos estaduais e de organizações civis, que pode decidir contra ou a favor do entendimento da Secretaria.

Ilmar Bastos Santos, subsecretário de Gestão Ambiental Integrada da Semad, garante que a aprovação do mineroduto, pelo Ibama, não terá interferência na avaliação das minas. Santos hesita a mencionar as irregularidades cometidas até aqui nas perfurações para pesquisa do subsolo. Entre abril e maio de 2007, houve denúncia de crimes ambientais cometidos pela MMX, como avançar sobre a mata nativa e não recuperar as áreas atingidas. A empresa foi obrigada a interromper as atividades e só as retomou após assinar um termo de ajustamento de conduta (TAC).

O diretor-executivo da MMX, Adriano Vaz, atribui as irregularidades à empresa terceirizada que fazia o serviço à época, Geosol. “Havia procedimentos errados, mas fomos notificados e consertamos. Recentemente não houve mais notificações”, diz. “Somos uma empresa bastante ousada. Teoricamente, teríamos que aguardar o licenciamento de todos os projetos para iniciar as obras, mas isso teria um impacto gigantesco no cronograma da obra. O Brasil não pode prescindir de um negócio desse porte. Nós trabalhamos na expectativa de que a licença saia. Uma vez aprovada, vamos trabalhar juntos com a sociedade e com o governo.”

Parcela da sociedade já se mobiliza em sentido contrário aos interesses das mineradoras. Até o momento a empresa realizou a perfuração do solo em mais de 300 pontos, para estudar onde estão as melhores jazidas, objeto de análise por parte do Ministério Público Estadual. Na segunda-feira, 19, a partir de uma ação civil pública do promotor André Luis Arantes, foi concedida liminar suspendendo a autorização para exploração dada à MMX. Também ordenou a vistoria de todas as 343 perfurações, a serem feitas por um perito judicial.

Ruim para o andamento do cronograma empresarial, a decisão certamente dará um alívio à turma de Daniele Mitterand.

Fonte: Carta Capital
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“A CULPA É DOS MIGRANTES”

Por causa dele as escolas públicas de São Paulo não prestam

por Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 1141


Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

“Ele (Serra) é sem escrúpulo, passa por cima da mãe”.
De Ciro Gomes, numa sabatina na Folha

. A Folha (da Tarde (*) de S. Paulo não considerou tão relevante que merecesse a primeira página uma informação impressionante: das 4.830 escolas de São Paulo avaliadas pelo Enem no ano passado, a melhor escola da rede ESTADUAL, quer dizer, do Governo do presidente eleito José Serra, não passa de 913ª. posição.

. 913ª. posição !

. Que beleza !

. É a comprovação de que São Paulo é a Chuíça brasileira: crescimento econômico da China e IDH da Suíça.

. Quando candidato a governador de São Paulo, depois de assinar na Folha documento em que se comprometia a ser prefeito de São Paulo até o fim do mandato, o presidente eleito deu entrevista a Chico Pinheiro, na Globo de São Paulo.

. Chico perguntou como ele explicava as notas baixas das escolas públicas de São Paulo – estado que os tucanos controlavam, então, há doze anos.

. A resposta de Serra foi taxativa: a culpa é dos migrantes.

. Quer dizer, dos nordestinos.

. O portal UOL colocou essa resposta numa manchete e Serra recorreu ao velho hábito de praticar a liberdade de imprensa: pediu a cabeça do responsável por aquela barbaridade: reproduzir por escrito uma declaração que ele tinha acabado de dar à Rede Globo ...

. A reportagem que a Folha escondeu da primeira página e é primeira página no jornal Agora, do Grupo Folha, e pode ser lida em aqui.

. De quem será a culpa agora ?

. Provavelmente dos funcionários da Nossa Caixa, que não querem que Serra venda o banco sem licitação.

. O Conversa Afiada já demonstrou que Serra não está interessado em vender bem a Nossa Caixa, mas vender rápido. (clique aqui para ler)

. É o que demonstra reportagem – aí, sim, na primeira página da Folha – de hoje: Serra já entregou os dados da Nossa Caixa ao Banco do Brasil. (clique aqui para ler)

. Rapidinho.

. Do jeito que ele gosta: se colar, colou.

. No Estadão, na página B4, o presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, faz uma pergunta elementar: “Se há mais compradores – como o Bradesco – por que não fazer leilão ?”

. Serra não tem resposta para isso.

. Como sempre, ele se esconde atrás de declarações que não declaram nada: “Não há nada de concreto... Nós recebemos uma proposta do Banco do Brasil para conversar... Primeiro, precisamos saber quanto o Bando do Brasil vai oferecer, depois avaliar.” (Estadão, pág. B5)

. (O problema de Serra é a liberdade de imprensa. Porque ele nunca tem o que dizer. Quando se você obrigado a dizer qualquer coisa, percebe-se que, calado, ele é um poeta.)

. Se o presidente eleito está mesmo tão interessado em saber quanto vale a Nossa Caixa, porque não faz um leilão para ver quanto o Banco do Brasil, o Bradesco, o Itaú, o Santander e o Unibanco oferecem pela Nossa Caixa.

. O problema não é vender bem.

. É vender rápido para imprimir os convites da posse em 2010.


(*) Instigado pelo Azenha – clique aqui para ir ao Viomundo – acabei de ler o excelente livro “Cães de Guarda – jornalistas e censores do AI-5 à Constituição de 1989”, de Beatriz Kushnir, Boitempo Editorial, que trata das relações especiais da Folha (e a Folha da Tarde) com a repressão dos anos militares. Octavio Frias Filho, publisher da Folha (da Tarde), não quis dar entrevista a Kushnir.

Fonte: Conversa Afiada
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SP SUBSTITUI METRÔ POR ÔNIBUS: É UMA REVOLUÇÃO

No mundo inteiro, metrô substitui ônibus; na Chuíça é o contrário

por Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 1142


“Ele (Serra) é sem escrúpulo, passa por cima da mãe”.
De Ciro Gomes, numa sabatina na Folha

. O Governo – o que ele já fez até agora ? – do presidente eleito José Serra acaba de anunciar uma revolução da política de transportes aplicada em todo o mundo, desde a passagem do Século XIX para o Século XX.

. É assim como se fosse uma nova Lei da Gravidade.

. O presidente eleito vai substituir a construção de uma linha do metrô de São Paulo – a que ligaria as zonas norte e leste – por uma linha de ônibus, que foi chamada de “fura fila” e, como não furou fila nenhuma, passou a chamar-se “Expresso Tiradentes”.

. A “Expresso Tiradentes”, embora não leve esse nome, não chega, ainda, ao bairro de Tiradentes.

. É uma hipótese de trabalho.

. Ao eliminar a ligação por metro da zona norte à zona leste, Serra não construirá três estações: a da Aclimação, que aliviaria a região da Avenida Paulista; a Ricardo Jaffet, que se liga à Rodovia Imigrantes; e a do Ipiranga, que leva ao ABC.

. Não é pouca coisa, certo ?

. Mas, não tem importância: São Paulo é a “Chuíça” brasileira: crescimento econômico da China e IDH da Suíça.

. O problema é o engarrafamento.

. São Paulo vai ser tragada no engarrafamento do Juízo Final no dia 14 de novembro de 2012.

. A previsão varia.

. Mas, é a mesma: vai haver um engarrafamento do Juízo Final.

. A única forma de enfrentá-lo é aumentar impostos para construir o metrô.

. Por que o presidente eleito não faz isso ?

. Por três motivos:

. Para não aumentar impostos – o que não é popular.

. Porque o metrô só seria inaugurado DEPOIS de 2010.

. Porque Serra presume que ninguém vá perceber o engarrafamento do Juízo Final.

. O PiG vai ajudar ...

Fonte: Conversa Afiada


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Política de cotas em debate

por Antônio Mello

Para incrementar o debate sobre as cotas, publico hoje esta lista elaborada pelo Laboratório de Políticas Públicas da UERJ, que foi a primeira universidade pública de grande porte no Brasil a utilizar o sistema de cotas, em 1991.

Os 10 mitos sobre as Cotas

1- as cotas ferem o princípio da igualdade, tal como definido no artigo 5º da Constituição, pelo qual “todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza”. São, portanto, inconstitucionais.
Na visão, entre outros juristas, dos ministros do STF, Marco Aurélio de Mello, Antonio Bandeira de Mello e Joaquim Barbosa Gomes, o princípio constitucional da igualdade, contido no art. 5º, refere-se à igualdade formal de todos os cidadãos perante a lei. A igualdade de fato é tão somente um alvo a ser atingido, devendo ser promovida, garantindo a igualdade de oportunidades como manda o art. 3º da mesma Constituição Federal. As políticas públicas de afirmação de direitos são, portanto, constitucionais e absolutamente necessárias.

2- as cotas subvertem o princípio do mérito acadêmico, único requisito que deve ser contemplado para o acesso à universidade.
Vivemos numa das sociedades mais injustas do planeta, onde o “mérito acadêmico” é apresentado como o resultado de avaliações objetivas e não contaminadas pela profunda desigualdade social existente. O vestibular está longe de ser uma prova equânime que classifica os alunos segundo sua inteligência. As oportunidades sociais ampliam e multiplicam as oportunidades educacionais.

3- as cotas constituem uma medida inócua, porque o verdadeiro problema é a péssima qualidade do ensino público no país.
É um grande erro pensar que, no campo das políticas públicas democráticas, os avanços se produzem por etapas seqüenciais: primeiro melhora a educação básica e depois se democratiza a universidade. Ambos os desafios são urgentes e precisam ser assumidos enfaticamente de forma simultânea.

4- as cotas baixam o nível acadêmico das nossas universidades.
Diversos estudos mostram que, nas universidades onde as cotas foram implementadas, não houve perda da qualidade do ensino. Universidades que adotaram cotas (como a Uneb, Unb, UFBA e UERJ) demonstraram que o desempenho acadêmico entre cotistas e não cotistas é o mesmo, não havendo diferenças consideráveis. Por outro lado, como também evidenciam numerosas pesquisas, o estímulo e a motivação são fundamentais para o bom desempenho acadêmico.

5- a sociedade brasileira é contra as cotas.
Diversas pesquisas de opinião mostram que houve um progressivo e contundente reconhecimento da importância das cotas na sociedade brasileira. Mais da metade dos reitores e reitoras das universidades federais, segundo ANDIFES, já é favorável às cotas. Pesquisas realizadas pelo Programa Políticas da Cor, na ANPED e na ANPOCS, duas das mais importantes associações científicas do Brasil, bem como em diversas universidades públicas, mostram o apoio da comunidade acadêmica às cotas, inclusive entre os professores dos cursos denominados “mais competitivos” (medicina, direito, engenharia etc). Alguns meios de comunicação e alguns jornalistas têm fustigado as políticas afirmativas e, particularmente, as cotas. Mas isso não significa, obviamente, que a sociedade brasileira as rejeita.

6- as cotas não podem incluir critérios raciais ou étnicos devido ao alto grau de miscigenação da sociedade brasileira, que impossibilita distinguir quem é negro ou branco no país.
Somos, sem dúvida nenhuma, uma sociedade mestiça, mas o valor dessa mestiçagem é meramente retórico no Brasil. Na cotidianidade, as pessoas são discriminadas pela sua cor, sua etnia, sua origem, seu sotaque, seu sexo e sua opção sexual. Quando se trata de fazer uma política pública de afirmação de direitos, nossa cor magicamente se desmancha. Mas, quando pretendemos obter um emprego, uma vaga na universidade ou, simplesmente, não ser constrangidos por arbitrariedades de todo tipo, nossa cor torna-se um fator crucial para a vantagem de alguns e desvantagens de outros. A população negra é discriminada porque grande parte dela é pobre, mas também pela cor da sua pele. No Brasil, quase a metade da população é negra. E grande parte dela é pobre, discriminada e excluída. Isto não é uma mera coincidência.

7- as cotas vão favorecer aos negros e discriminar ainda mais aos brancos pobres.
Esta é, quiçá, uma das mais perversas falácias contra as cotas. O projeto atualmente tramitando na Câmara dos Deputados, PL 73/99, já aprovado na Comissão de Constituição e Justiça, favorece os alunos e alunas oriundos das escolas públicas, colocando como requisito uma representatividade racial e étnica equivalente à existente na região onde está situada cada universidade. Trata-se de uma criativa proposta onde se combinam os critérios sociais, raciais e étnicos. É curioso que setores que nunca defenderam o interesse dos setores populares ataquem as cotas porque agora, segundo dizem, os pobres perderão oportunidades que nunca lhes foram oferecidas. O projeto de Lei 73/99 é um avanço fundamental na construção da justiça social no país e na luta contra a discriminação social, racial e étnica.

8- as cotas vão fazer da nossa, uma sociedade racista.
O Brasil esta longe de ser uma democracia racial. No mercado de trabalho, na política, na educação, em todos os âmbitos, os/as negros/as têm menos oportunidades e possibilidades que a população branca. O racismo no Brasil está imbricado nas instituições públicas e privadas. E age de forma silenciosa. As cotas não criam o racismo. Ele já existe. As cotas ajudam a colocar em debate sua perversa presença, funcionando como uma efetiva medida anti-racista.

9- as cotas são inúteis porque o problema não é o acesso, senão a permanência.
Cotas e estratégias efetivas de permanência fazem parte de uma mesma política pública. Não se trata de fazer uma ou outra, senão ambas. As cotas não solucionam todos os problemas da universidade, são apenas uma ferramenta eficaz na democratização das oportunidades de acesso ao ensino superior para um amplo setor da sociedade excluído historicamente do mesmo. É evidente que as cotas, sem uma política de permanência, correm sérios riscos de não atingir sua meta democrática.

10- as cotas são prejudiciais para os próprios negros, já que os estigmatizam como sendo incompetentes e não merecedores do lugar que ocupam nas universidades.
Argumentações deste tipo não são freqüentes entre a população negra e, menos ainda, entre os alunos e alunas cotistas. As cotas são consideradas por eles, como uma vitória democrática, não como uma derrota na sua auto-estima, ser cotista é hoje um orgulho para estes alunos e alunas. Porque, nessa condição, há um passado de lutas, de sofrimento, de derrotas e, também, de conquistas. Há um compromisso assumido. Há um direito realizado. Hoje, como no passado, os grupos excluídos e discriminados se sentem mais e não menos reconhecidos socialmente quando seus direitos são afirmados, quando a lei cria condições efetivas para lutar contra as diversas formas de segregação. A multiplicação, nas nossas universidades, de alunos e alunas pobres, de jovens negros e negras, de filhos e filhas das mais diversas comunidades indígenas é um orgulho para todos eles.

Fonte: Blog do Mello


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Eleições Americanas

Linguagem do apocalipse afasta eleitores





A linguagem incendiária de líderes religiosos forçou Barack Obama e John McCain à delicada tarefa de se afastar dos autores das declarações sem renegar a fé cristã. O tema deverá ressurgir ao longo da campanha, especialmente se os candidatos decididirem usá-lo em ataques ao adversário.

O caso de Obama já foi amplamente explorado durante as prévias democratas, ainda que indiretamente, pela senadora Hillary Clinton. Os danos causados ao senador pelo relacionamento com o pastor protestante Jeremiah Wright, da Igreja Trinity, de Chicago, foram limitados.

Numa era em que frases bombásticas têm seu apelo multiplicado pela repetição constante nos canais de notícias 24 horas e em vídeos distribuídos pela internet, as do pastor Wright passaram semanas liderando a parada de sucessos. Além de ter dito em um sermão que Deus deveria "amaldiçoar os Estados Unidos", o pastor afirmou que os ataques de 11 de setembro de 2001 eram retribuição pelo terrorismo de estado praticado pelos norte-americanos no Exterior.

O pastor, que celebrou o casamento de Barack Obama e batizou as duas filhas do senador, já se aposentou. Obama repudiou as declarações de Wright. Um discurso do democrata, dedicado especialmente à questão racial nos Estados Unidos, fez muito para dissolver a controvérsia. É tido como um dos melhores textos produzidos na campanha eleitoral de 2008. Obama decidiu apostar na inteligência do eleitorado: atacou as nuances da questão e contextualizou as posições de Wright, que sustentou a tradição oral combativa das igrejas negras nos Estados Unidos.

Obama, no entanto, ficou sujeito à acusação de que demorou demais para se afastar de Wright. Só fez isso quando o caso ganhou ares de controvérsia na mídia.

Numa questão não relacionada a Wright, mas no campo da religião, Obama enfrentará ainda a tarefa de se desfazer dos persistentes boatos de que seja muçulmano. O pai de Obama, nascido na fé muçulmana, no Quênia, se afastou da religião ao longo da vida. O senador diz que sempre foi cristão.

De sua parte, o republicano John McCain já rejeitou o apoio de dois religiosos. Um deles, o pastor Rod Parsley, de Ohio, disse que o islamismo "é a religião do anti-Cristo que pretende conquistar o mundo através da violência".

John Hagee, do Texas, outro pastor protestante que teve seu apoio a McCain rejeitado pelo candidato, é um veterano das campanhas políticas, sendo um dos organizadores do grupo Cristãos Unidos por Israel. Hagee afirmou que o Holocausto fez parte do plano de Deus para Adolf Hitler, que ao provocar a barbárie acabou, sem que fosse esse o seu objetivo, dando força política à criação do estado judaico.

O pastor também afirmou que o furacão Katrina foi punição divina pelo fato de que Nova Orleans havia autorizado a realização de uma Parada Gay. Também é dele a referência à igreja Católica como "a grande prostituta".

Partidários de McCain rejeitam comparações, lembrando que enquanto o reverendo Wright foi o pastor de Obama durante 20 anos, Parsley e Hagee nunca pregaram em igrejas frequentadas pelo republicano.

Porém, o republicano parece mais vulnerável à questão religiosa quando se considera que ele ainda não foi endossado com fervor pela coalizão de protestantes, católicos e judeus que injetou a fé, literalmente, nas campanhas de Ronald Reagan e George W. Bush.


Lobistas podem ser pedra no sapato de McCain




O candidato republicano à Casa Branca, John McCain, já ensaia o discurso que vai usar contra o provável adversário democrata, Barack Obama, na campanha presidencial.

McCain, veterano da guerra do Vietnã e com longa experiência parlamentar em questões de política externa, pretende definir Obama como "inexperiente" e "ingênuo".

O republicano, de 71 anos de idade, tem atacado o democrata pela proposta de negociar com Cuba, Venezuela e Irã. Obama tem apenas 46 anos de idade, é senador em primeiro mandato e de fato tem escassa experiência na esfera internacional.

Porém, a experiência de McCain poderá ser usada contra ele, pelas associações políticas que o republicano desenvolveu em Washington ao longo de sua carreira.

Recentemente, dois assessores de McCain renunciaram aos cargos por terem trabalhado como lobistas para o DCI Group Network, uma empresa que foi contratada pela junta militar de Mianmar para melhorar a imagem do governo daquele país em Washington. O contrato, de 2002, rendeu 348 mil dólares à empresa.

Um dos que renunciaram foi Doug Goodyear, o homem que havia sido escolhido por McCain para organizar a Convenção Nacional Republicana.

Agora um dos principais assessores de McCain, o lobista Charles Black, está sob fogo dos democratas por ter defendido em Washington uma série de interesses estrangeiros - do guerrilheiro angolano Jonas Savimbi ao governo de Mobutu Sese Seko, do Zaire.

Black se aposentou da empresa BKSH e Associados mas os arquivos do Departamento de Justiça, onde os lobistas devem registrar suas atividades, revelam uma longa carreira de serviços prestados a governos autoritários - da Guiné Equatorial à Nigéria.

O lobista serviu às campanhas de Bush pai e Bush filho e agora é o principal homem de McCain na capital dos Estados Unidos.

O problema para o candidato republicano é que tanto ele quanto Obama prometem não sucumbir a "interesses especiais", ou seja, a grupos de pressão que se organizam em Washington para influenciar o Congresso e a Casa Branca.

O candidato democrata tem dito em seus discursos que a disparada do preço da gasolina pegou os americanos de surpresa por causa de uma política energética que só atende aos interesses das grandes empresas.

Essa política, diz Obama, foi definida pelo vice-presidente Dick Cheney em reuniões a portas fechadas com executivos e lobistas.


Obama apoiará ataques da Colômbia além-fronteira

Se for eleito presidente dos Estados Unidos o democrata Barack Obama apoiará o direito do governo da Colômbia "de atacar terroristas que buscarem santuário além de suas fronteiras", de acordo com o documento "Uma nova parceria para as Américas", divulgado hoje, que define a plataforma do candidato para a América Latina.

O documento foi divulgado assim que Obama fez um discurso diante da Fundação Nacional Cubano-Americana, na Flórida.

De acordo com o texto, um governo Obama apoiará o direito da Colômbia "de se defender contra as FARC" e exporá "para condenação internacional e isolamento regional" qualquer apoio às FARC "que vier de integrantes de governos vizinhos."

Mas, quando se trata de comércio, a postura de Obama será protecionista: ele reafirma que é contra a aprovação do Tratado de Livre Comércio entre Estados Unidos e Colômbia, que aguarda aprovação no Congresso americano.

Sobre a Venezuela, diz o texto:

"O presidente Hugo Chávez aumentou a sua retórica anti-Estados Unidos e tentou se opor à influência americana em toda a América Latina. Alguns comentaristas temem que Chávez ameace os mercados de petróleo e a estabilidade regional. Barack Obama acredita que os Estados Unidos devem restabelecer a sua liderança tradicional na região - em democracia, comércio, desenvolvimento, energia e imigração. Isso vai reduzir o antiamericanismo que brotou da oposição às políticas globais da administração Bush e à falta de engajamento na América Latina."

Sobre eleições na região, diz a plataforma do candidato:

"O presidente Obama vai defender a luta dos democratas quando eles denunciarem eleições que não forem justas, nem livres, e enfrentará os que tentarem solapar o processo democrático, de forma que eleições fraudulentas não possam mais ser usadas para legitimar governos em lugares como a Venezuela ou Colômbia, onde as FARC têm rotineiramente sequestrado autoridades do governo."


Plataforma de Obama: Amazônia é "recurso global"

O senador Barack Obama, provável candidato do Partido Democrata à Casa Branca, propôs hoje uma "Nova Parceria para as Américas", em que pretende "restabelecer a liderança americana no hemisfério".

O papel dos Estados Unidos seria o de defender a "liberdade política", "a liberdade das necessidades" e a "liberdade do medo".

Sobre o Brasil, a plataforma do candidato inclui o seguinte texto:

"O caso do Brasil:

O Brasil é um exemplo do grande potencial das energias renováveis na América Latina, além dos riscos que devem ser evitados. O Brasil é o décimo consumidor mundial de energia. O poder hidrelétrico tem sido a fonte de energia do Brasil e cobre hoje 83% da demanda por eletricidade. O Brasil também é um dos maiores produtores de etanol do mundo. O etanol do Brasil vem da cana-de-açúcar, que prospera no clima tropical do país. Nos anos 70, ex-ditadores militares do Brasil decidiram subsidiar a produção de etanol e garantir a distribuição. Mais da metade de todos os automóveis do país são flex, significando que podem usar etanol ou gasolina. Toda gasolina do Brasil contém etanol.

A liderança do Brasil na área de renováveis não veio sem preocupações. A região da Amazônia, um importante recurso global na batalha contra o aquecimento do planeta, cobre quase 60% do Brasil. Perdeu 20% da floresta - 1,6 milhão de milhas quadradas - para o desenvolvimento, a exploração da madeira e a agricultura.

Enquanto o cultivo da cana não causou desflorestamento maciço da mesma forma que a soja, ambientalistas se preocupam que a crescente demanda poderia empurrar os produtores de cana para a Amazônia. Os produtores domésticos de etanol nos Estados Unidos se preocupam com razão com a competição do Brasil, que é o maior exportador de etanol do mundo.

Os Estados Unidos, no ano passado, se engajaram na Parceria de Biocombustíveis com o Brasil para ajudar os dois países a produzir biocombustíveis e procurar mercados globais para esses produtos. Esse acordo envolve parceria tecnológica entre Estados Unidos e Brasil, o avanço global do desenvolvimento de biocombustíveis e ajuda terceiros países para desenvolver suas próprias indústrias domésticas de biocombustíveis.

Barack Obama quer expandir a produção de energia renovável por toda a América Latina de forma a que ao mesmo tempo promova a auto-suficiência e a criação de mercados para os fabricantes americanos de energia verde e de biocombustíveis."


Obama propõe uma "Nova Parceria para as Américas"



No discurso que fez esta tarde, em Miami, Barack Obama definiu como será seu programa para a América Latina, definido como "Uma nova parceria para as Américas":

"É hora de uma nova aliança para as Américas. Depois de oito anos de políticas do passado, precisamos de uma nova liderança para o futuro. Depois de décadas pressionando por reformas de cima para baixo, precisamos de uma agenda para avançar a democracia, segurança e oportunidade de baixo para cima. Assim, minha política será guiada pelo simples princípio de que o que é bom para o povo das Américas é bom para os Estados Unidos. Isso significa medir o sucesso não apenas através de acordos entre governos, mas também através da esperança da criança nas favelas do Rio, da segurança do policial na Cidade do México e da diminuição da distância entre Miami e Havana".



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Roberto Freire faleceu na sexta-feira, dia 23 de maio de 2008.

Roberto Freire. Ele deu título ao meu primeiro livro. Convivemos no jornal “Última Hora” por anos. Ficamos amigos. Um homem impetuoso, desvairado, atirado, sempre em busca. De tudo. Atirando-se em tudo. Indo fundo. Eu sempre o invejei. Agora, atravassei sua vida inteira. Atravessem, como fiz, para redescobrir os bastidores de períodos da história do Brasil, vista pelos olhos dos criadores, não de frios historiadores. Um videoclipe vertiginoso, de nos deixar tontos. 11 de agosto, Largo São Francisco, ditadura Vargas, o comunismo, o anarquismo, José de Alencar, Fernando Pessoa, Mário de Andrade, doenças venéreas, Steinbeck, Huxley, Charles Morgan, amizades, Gessy, o grande amor, boleros, “Dos Almas”, namoros no bairro do Botafogo, no Rio de Janeiro, a Faculdade de Medicina, Jorge Amado, Erico Veríssimo, Paris, Saint Germain, Sartre, Sábato Magaldi, Jacques Brel, Léo Ferre, Edith Piaf, a guerra da Argélia, Collège de France, Alfredo Mesquita, a descoberta da Psicanálise, Reich, o teatro, “Quarto de Empregada”, a proibição da primeira peça, o Teatro de Arena, Vianinha, Zé Renato, a EAD, Jânio e o teatro, Myriam Muniz, Silnei Siqueira, Ruthnéia de Moraes, João José Pompeo, o TBC, Gianni Ratto, Celi Ziembinski, Paulo Autran, Gigetto, Augusto Boal, Flávio Império, “Sem Entrada e Sem Mais Nada”, a crise (medicina ou teatro?), Pedro, Paulo e Beto, os filhos, Betinho, Cuba, Guevara, a Ação Popular, a prática revolucionária, a dor da traição dos amigos, o Serviço Nacional de Teatro, o encontro com os dominicanos, a criação do jornal “Brasil Urgente”, outra traição de um ideólogo, a prisão, o sofrimento nas mãos dos militares, o romance “Cleo e Daniel”, a descoberta da música, a bossa nova, a CIA, o CCC, o show “Opinião”, Jango, as Ligas Camponesas, o golpe de 64, o seriado “Gente Como a Gente”, o homem que só escreve à mão, as universidades invadidas, prisões, torturas, mortes, a criação do Tuca, “Morte e Vida Severina”, a beleza de um texto com a música de Chico, dom Hélder Câmara, “Cleo e Daniel”, o filme, o prazer da primeira direção de cinema, o fracasso do filme, a Bienergética, o álcool, o sanatório, internações, a gestalterapia, Carlito Maia, a revista “Realidade”, o sucesso de uma publicação audaciosa, os perfis, a noite em que ele ficou de campana enquanto garotos roubavam uma padaria, viver todas as sensações, emoções, o infarto, traições em jornalismo, o fim da equipe de “Realidade” pela prepotência de um profissional venal, o surgimento do “Bondinho”, outra revolução, o Prêmio Esso de Jornalismo, os festivais de MPB, a agressão dos seguranças da Globo que quase o mataram, Plínio Marcos, a descoberta de Mauá, Nina, um novo amor, Soma, outra criação, sonhar, sonhar, “Corpo a Corpo”, a paixão por Virgínia, o livro “Ame e Dê Vexame”, a morte de um amor, um outro e “derradeiro grande amor”, Vera, “A Farsa Ecológica”, a indignação diante da demagogia ambiental, o diabetes, a perda da visão pela catarata, a Casa Amarela, a “Caros Amigos”, as dificuldades financeiras, as crises de angina, a decisão de escrever uma autobiografia, o futuro desconhecido. Bela vida, Roberto. Belo livro. Para ensinar os que sonham e têm medo. Para dar coragem.

Orelha escrita por Ignácio de Loyola Brandão em "Eu é Um Outro", autobiografia de Roberto Freire. Edições Maianga, 2002.


Roberto Freire
24/05/2008 23:22

Tchau, amor!

Roberto Freire faleceu nesta sexta-feira, 23 de maio de 2008. Seu corpo foi cremado na Vila Alpina, em São Paulo.

Roberto Freire, Bigode. Um terapeuta, escritor. Um anarquista apaixonado.

Joaquim Roberto Corrêa Freire nasceu em São Paulo no dia 18 de janeiro de 1927. Formou-se em Medicina, na Universidade do Brasil/RJ em 1952. Enquanto estudante, e após a sua formatura, trabalhou como pesquisador em eletrofisiologia e em biofísica celular no Instituto de Biofísica da Universidade do Brasil, sob a orientação do professor Carlos Chagas Filho.

Em 1953 foi trabalhar no Collège de France, em Paris, desenvolvendo trabalhos de endocrinologia experimental, sob orientação do professor Robert Courrier. Publicou vários trabalhos nas revistas das Academias de Ciências do Rio de Janeiro e de Paris.
Após alguns anos trabalhando como endocrinologista clínico, Freire realiza sua formação em Psicanálise através da Sociedade Brasileira de Psicanálise/SP, com o prof. Henrique Schlomann. Em 1956, realiza trabalhos de acompanhamento clínico no Centro Psiquiátrico Franco da Rocha/ SP.

A partir deste período Freire busca novas fontes de pesquisa, realizando estágios no exterior. Em Bioenergética, com os discípulos de Wilhem Reich, em Paris; e em Gestalterapia, com os discípulos de Frederich Perls, em Bourdeaux. Suas divergências teóricas e ideológicas se ampliam e Freire acaba se distanciando da psicanálise, ao mesmo tempo em que se aproxima cada vez mais do campo artístico, literário e político brasileiros.
Roberto Freire, militante clandestino lutando contra a ditadura militar, não encontrava na Psicanálise nem na Psicologia tradicional as ferramentas necessárias que auxiliassem nos conflitos emocionais e psicológicos de seus companheiros de luta que o procuravam buscando algum tipo de ajuda. Foram principalmente as pesquisas de um cientista renegado pelo meio acadêmico – considerado por muitos como o dissidente mais radical da Psicanálise – Wilhelm Reich, que influenciaram Freire na criação de uma nova técnica terapêutica corporal e em grupo.

A Soma nasceu de uma pesquisa sobre o desbloqueio da criatividade, realizada no Centro de Estudos Macunaíma, com as contribuições de Miriam Muniz e Sylvio Zilber. Através de exercícios teatrais, jogos lúdicos e de sensibilização, Roberto Freire foi criando uma série de vivências que possibilitavam uma rica descoberta sobre o comportamento, suas infinitas e singulares diferenças. Perceber como o corpo reage diante de situações comuns no cotidiano das relações humanas, como a agressividade, a comunicação, a sensualidade, e sua associação com os sentimentos e emoções, permite um resgate daquilo que nos diferencia enquanto individualidade, para criar um jeito novo, a originalidade contra a massificação. Assim, a Soma se construiu como um processo terapêutico com conteúdo ideológico explícito, o Anarquismo.

Simultaneamente a vida científica, desenvolveu atividades artísticas e culturais, desde seu retorno da Europa, especialmente no campo da poesia e do teatro. Desta época resultou um trabalho de poesia ainda inédito: Pé no Chão, Roupa Suja, Olho no Céu. A maioria desses poemas foi musicada pelo compositor Caetano Zama, sendo que um deles (Mulher Passarinho) teve gravação de Agostinho dos Santos, no período inicial da bossa nova.


No Teatro, Freire foi diretor das peças Escurial, de Michel Guelderhode e Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, além de autor e co-diretor de O&A, (co-direção com Sionei Siqueira). A peça Morte e Vida Severina é sempre muito lembrada por diretores e atores, pois foi a revelação de um jovem músico: Chico Buarque. Além disso, esta peça, de 1965, enaltecia dois pilares essenciais no teatro: a sua alta qualidade artística associada ao trabalho de mobilização do grupo de atores, músicos e diretores. Esses elementos foram fundamentais na superação da estrutura material ainda precária, e impulsionaram o grupo de tal maneira que, no ano seguinte, a peça obtivesse o primeiro lugar no Festival de Teatro de Nancy/ França.

Freire trabalhou também em funções administrativas, como Presidente da Associação Paulista da Classe Teatral; Diretor do Serviço Nacional de Teatro; e Diretor Artístico no TUCA (Teatro da Universidade Católica de São Paulo).
Na Música, Freire foi letrista e jurado de diversos Festivais da MPB. Nesta época trabalhava para a TV Globo na criação e redação (em parceria com Max Nunes) no programa A Grande Família. Mesmo assim, Roberto Freire e o grupo de jurados – Nara Leão (presidente), Rogério Duprat, Décio Pignatari, Sérgio Cabral, César Camargo Mariano, Big Boy, entre outros – decidem que Freire seria o representante do júri nacional que leria o manifesto assinado por eles no palco do Maracanãzinho. O pesquisador Zuza Homem de Mello, em seu livro A Era dos Festivais, uma parábola (2003, Editora 34, p.429), descreve claramente de que maneira os resultados dos Festivais passaram a ser ditados pelos interesses ligados à ditadura militar e enfoca o papel de Roberto Freire no último FIC (Festival Internacional da Canção da TV Globo). “Ao tentar ler no palco do VII FIC um manifesto contra a destituição do júri nacional, Roberto Freire foi violentamente arrastado por policiais, que o levaram a uma sala e o espancaram barbaramente (...) Terminava a Era dos Festivais”.

Em televisão, Freire foi autor de Teleteatro, exibido na TV Record e na Rede Globo. No Cinema fez a Direção e Roteiro do longa-metragem Cleo e Daniel , com Miriam Muniz, John Herbert, Beatriz Segall, Irene Stefânia (no papel de Cleo), Chico Aragão (como Daniel). O roteiro é uma adaptação do romance homônimo, escrito por Freire em 1966, inspirado na tragédia “Daphnis e Chloe” do poeta romano Longus. O primeiro livro de Freire é reconhecido como um marco para as gerações de 1960 e 1970, que se identificava fortemente com os conflitos familiares e amorosos das personagens.

No jornalismo Freire foi repórter e redator de medicina e saúde pública no jornal OESP; diretor-responsável e redator do jornal Brasil Urgente; cronista do jornal A Última Hora/ SP; repórter da revista Realidade, Editora Abril, na qual obteve o Prêmio Esso com a reportagem Meninos do Recife; Diretor de reportagem da revista Bondinho; Editor da revista Grilo (histórias em quadrinhos).

Na área da Educação, foi assessor do prof. Paulo Freire no Plano Nacional de Alfabetização de Adultos, associando as pesquisas pedagógicas a um movimento nacional de cultura popular. Este trabalho foi interrompido após 1964. Além desta experiência, Roberto Freire foi professor na disciplina Psicologia do Ator na Escola de Artes Dramáticas da USP, então dirigida por Alfredo Mesquita, onde acumulava a função de médico clínico dos alunos. Em 1958, a convite dos alunos e por insistência do amigo e mestre Alberto D’Aversa, também professor da EAD e recém chegado da Argentina, escreveu a peça Quarto de Empregada, cujos dois únicos papéis eram representados (como exercício didático) pelas alunas Ruthnéia de Moraes e Assunta Peres. Quarto de Empregada é, até hoje, a peça mais encenada de Roberto Freire.


Em todas as atividades às quais se dedicou – psicanálise, teatro, televisão, jornalismo e a literatura – Roberto Freire deixou suas marcas. Porém, segundo o próprio Freire, a Somaterapia foi a sua principal contribuição enquanto teórico e libertário.


Foi criada pelo escritor Roberto Freire no início dos anos 70 como uma terapia corporal e em grupo, baseada nas pesquisas do austríaco Wilhelm Reich. Buscando o desbloqueio da criatividade, os exercícios da Soma abordam a relação corpo e emoções presentes na obra de Reich, os conceitos de organização vital da Gestalterapia, os estudos sobre a comunicação humana da Antipsiquiatria e a arte-luta da Capoeira Angola. Os grupos de Soma duram um ano e meio, com encontros periódicos (quatro vivências por mês). Esta convivência possibilita a construção de uma dinâmica de grupo, onde o referencial ético é o Anarquismo. Esta é a maior originalidade da Soma: terapia como pedagogia política, onde o prazer e a liberdade são a saúde que combate a neurose capitalista da sociedade globalizada.

A Soma, enquanto terapia com uma ética anarquista, procura entender o comportamento político humano em sociedade a partir do cotidiano das pessoas. São as micro-relações que produzem o germe do autoritarismo social, num jogo de poder e sacrifício onde valores capitalistas como a propriedade privada, a competição, o lucro e a exploração já não devem ser tratadas apenas como questões de mercado e ideologia. É inegável a influência destes valores sobre áreas vitais das relações sociais, como no amor, por exemplo, onde sentimentos (ciúmes, posse, insegurança) e situações (competição, traição, mentiras) parecem reproduzir no micro-social todos os ranços e saldos do autoritarismo de Governos e Estados. Para a Soma, portanto, a política começa no cotidiano.

Apenas o racional e o lógico tornam-se insuficientes para compreender a imensa teia de controles impostos socialmente e seu impacto sobre a individualidade. É justamente este o grande paradoxo: como escapar das relações hierárquicas e autoritárias com os sentimentos e todas suas extensões emocionais contaminadas por algo que foge do campo das idéias, do pensamento. Este "algo mais", para além da razão, já foi objeto de estudos de filósofos e psicólogos e podemos chamar aqui de inconsciente, as motivações e estímulos, muitas vezes contraditórios, que extrapolam a racionalidade objetiva. O fato de se acreditar numa visão de mundo, numa ideologia, não basta para ter um comportamento libertário no amor, na família, nas relações afetivas. Infelizmente, parece mais fácil tentar ser livre fora de casa, longe da privacidade e exilado do corpo.

Foram estes questionamentos que levaram a criação da Soma, no início dos anos 70. Roberto Freire, militante clandestino lutando contra a ditadura militar, não encontrava na Psicanálise, metodologia que se formou e depois abandonou por divergências ideológicas, e na Psicologia tradicional, ferramentas necessárias para ajudar os conflitos emocionais e psicológicos de seus companheiros de luta que o procuravam buscando auxilio. Foi então buscar as pesquisas de um cientista renegado pelo meio acadêmico, o dissidente mais radical da Psicanálise: Wilhelm Reich. A partir daí, criou uma técnica terapêutica corporal e em grupo.

A Soma nasceu de uma pesquisa sobre o desbloqueio da criatividade, realizada no Centro de Estudos Macunaíma. Através de exercícios teatrais, jogos lúdicos e de sensibilização, Roberto Freire foi criando uma série de vivências que possibilitavam uma rica descoberta sobre o comportamento, suas infinitas e singulares diferenças. Perceber como o corpo reage diante de situações comuns no cotidiano das relações humanas, como a agressividade, a comunicação, a sensualidade, e sua associação com os sentimentos e emoções, permite um resgate daquilo que nos diferencia enquanto individualidade, para criar um jeito novo, a originalidade contra a massificação.

Assim, a Soma se construiu como um processo terapêutico com conteúdo ideológico explícito, o Anarquismo. A terapia tem tempo determinado (cerca de um ano e meio), para evitar a dependência terapeuta/cliente, e é realizada em sessões de três horas cada (são quatro por mês) em vivências com exercícios corporais ou dinâmicas de grupo. Depois de cada vivência, o grupo realiza a leitura da sessão, procurando verbalizar as sensações e percepções produzidas pelo exercício/dinâmica. A leitura pode ser tanto sobre si mesmo como sobre algum companheiro de grupo e é nesta etapa que o participante da Soma começa a produzir sua autonomia terapêutica, desenvolvendo um olhar e uma compreensão maior, a partir do corpo, sobre as atitudes e comportamentos políticos no cotidiano.

Para saber mais Soma vol.3 : leia o livro na íntegra


Roberto Freire Wilhelm Reich Gestalterapia Antipsiquiatria Capoeira Angola Anarquismo

Soma Roberto Freire e o Brancaleone Pedagogia Libertária "Prazer e Anarquia"

Mais informações no nosso site: www.somaterapia.com.br.

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notícias da Palestina

por Georges Bourdoukan


Cultura da destruição

Leitores inconformados com a destruição de oliveiras
palestinas por colonos israelenses dizem não entender
como é possível que Israel permita tamanha iniqüidade.

Não entendem também o silêncio dos ecologistas.

Respondendo sobre a destruição das centenas de
milhares de oliveiras, reputo essa atitude produto
de uma cultura centenária, senão milenar européia de
desrespeito à natureza.

Afinal, não se pode ignorar o que foi feito com as
florestas e os bosques europeus no decorrer dos séculos.

Nem a herança de miséria e destruição deixada por
esses mesmos colonizadores europeus nas
Américas, África e Ásia.

Por tanto, a destruição praticada pelos colonos “judeus”
europeus nada mais é do que a herança cultural enraizada.

Quanto ao silêncio dos ecologistas, vocês sabem
que é mais fácil acusar países do terceiro mundo
de desrespeito à natureza do que enfrentar a ira
dos governantes do primeiro mundo.

Ou alguém tem dúvidas?

Humilhação

ONDE ESTÃO OS VERDES?


Onde estão os defensores da natureza?
Por que não se manifestam sobre a
Destruição sistemática dos bosques
De oliveiras milenares da Palestina?

Será que eles têm medo de serem
Acusados de anti-semitismo?
Haverá alguém mais anti-semita
Do que o governo de Israel?

Haverá alguém mais anti-semita
Do que os “colonos” israelenses?
Então por que os defensores da
Natureza não se manifestam?

GOVERNO DO EGITO SUBSIDIA ISRAEL

Enquanto o governo israelense continua praticando o seu folguedo de assassinar palestinos pelas armas, ou através de bloqueio a Gaza, o governo do Egito resolve dar uma mão ao estado sionista.

Vai fornecer anualmente 1 milhão e 700 mil metros cúbicos de gás, subsidiado, à Israel.

Os contratos foram negociados por dois espiões: o agente egípcio Hussain K. Salem – representando a empresa a East Mediterranean Gas (EMG); e o agente israelense Yosef Maiman, representando a empresa Israel Electric Ltd.

Para quem não sabe, o agente israelense Yosef Maiman organizou as redes do Mossad na América Latina.

O gás será subsidiado por 15 anos. A primeira fase do contrato estipula entregas às centrais elétricas de Tel Avive e de Ashdod.

Médicos Sem Fronteiras denunciam

Assista AQUI a denúncia da ONG Médicos Sem Fronteiras sobre o bloqueio israelense a Faixa de Gaza. O vídeo tem um pouco mais de quatro minutos. É narrado em inglês com legendas em espanhol, e foi realizado em janeiro deste ano. Desde então, a situação se agravou.

"Israel, estado anti-judaico"


Por uma nova resistência palestina

A pior de todas as violências é a ocupação.

Na Palestina, pede-se aos que vivem sob ocupação que garantam a segurança dos ocupantes. É surreal. Para explicar uma situação muito simples – um país foi ocupado, seus habitantes defendem-se contra os ocupantes –, chegamos a ponto de confundir: as vítimas seriam os agressores, e os agressores, as vítimas. Começaram por confundir a mente dos próprios israelenses. Depois, pouco a pouco confundiram todas as mentes”.

Mustafá Barghouti, líder da Iniciativa Nacional Palestina.

Leia a íntegra da entrevista a
Ignacio Ramonet do Le Monde Diplomatique AQUI






Fonte: Blog do Bourdoukan
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MENDES CRIA STRESS NA REPÚBLICA


por Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 1139



Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

. O Presidente (provisoriamente do Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes aparece duas vezes numa edição de fim de semana da Folha (da Tarde *) de S. Paulo.

. Primeiro, diz que “no final de junho, ou no máximo, início de agosto” o STF deve julgar as ações que contestam a demarcação da terra indígena Raposa/Serra do Sol.

. A informação é tão imprecisa quanto inútil.

. Inútil para você, caro leitor.

. Porque, para o Presidente Gilmar Mendes, tem a propriedade de levá-lo a um título de reportagem num jornal da relevância (?) da Folha.

. O Ministro diz não ter opinião formada sobre a matéria.

. E se tivesse não poderia dizer qual é.

. Ah !, que progresso.

. O Ministro (?) Marco Aurélio de Mello, se perguntado, anunciará seu voto, com prazer.

. Marco Aurélio de Mello é um juiz que anuncia o voto no PiG e ninguém se espanta.

. Acha natural ...

. O presidente Mendes, porém, faz uma declaração bombástica, dessas de arrasar quarteirão: “Estou convencido de que o tribunal (STF) tem em mãos um caso peculiar. Vai se pronunciar, sob a Constituição Federal de 1988 (que outra seria, Ministro ?), acerca de soberania indígena ...”

. Fabuloso.

. Por que o amigo leitor não tinha pensado nisso antes ?

. Para que serve a declaração, feita logo após o Presidente Mendes retornar de uma fact finding mission à região ?

. Para nada.

. Só para aparecer.

. Isso foi na pág. A12 da edição de sábado.

. Na página A8, da mesma edição de sábado da Folha, o Presidente Mendes prevê que a discussão sobre “a nova CPMF” ... “chegará à apreciação do Supremo”.

. Como é que ele sabe ?

. Que nova CPMF é essa ?

. O Congresso já aprovou ?

. E se for, vai ao Supremo ? Por que ?

. O Supremo se transformou na Câmara Revisora do Legislativo ?

. O Supremo é o AI-5 do Legislativo ?

. O Supremo ou o Presidente do Supremo ?

. O Presidente (do Supremo) diz também que a nova CPMF vai provocar “um stress do ponto de vista constitucional”.

. Tradução: uma nova CPMF só passa se for por cima do cadáver do Presidente (do Supremo).

. E o que significa “stress” constitucional ?

. No Houaiss: estresse: substantivo masculino; Rubrica: medicina.
estado gerado pela percepção de estímulos que provocam excitação emocional e, ao perturbarem a homeostasia, levam o organismo a disparar um processo de adaptação caracterizado pelo aumento da secreção de adrenalina, com várias conseqüências sistêmicas; stress

. A palavra comporta acepções como “tensão”, “crise”, “ansiedade”, “estar à beira de um ataque de nervos”.

. Pergunta ao Presidente Mendes: uma nova CPMF provocaria “stress” NA Constituição ?

. Será preciso alterá-la ? Curá-la dessa crise de ansiedade ?

. Não, não é isso o que o senhor quis dizer ?

. Então, pergunta-se: provocaria tensão nos pobres e desvalidos que temem não haver recursos públicos para tratar da saúde ?

. Ou provocará stress e tensão, crise, nervosismo, aumento da adrenalina no pessoal da FIE P – assim mesmo, com a evasão do “S” –, que não gosta de pagar imposto ?

. E quem disse que o Supremo tem que se preocupar com strees ?

. O Supremo virou o divã da República ?

. “Stress” é o mal que aflige o cidadão de uma República (?) em que o Presidente da mais alta Corte de Justiça pretende ocupar o espaço do Executivo e do Legislativo.

. Porém, como ele ocupa espaço do “lado certo”, o lado do PiG e da “elite branca”, é tudo normal, natural, o pessoal finge que não vê ...

. Clique aqui para ler o que o Conversa Afiada publicou sobre as atividades do novo Presidente (do Supremo)


(*) Instigado pelo Azenha – clique aqui para ir ao Viomundo – acabei de ler o excelente livro “Cães de Guarda – jornalistas e censores do AI-5 à Constituição de 1989”, de Beatriz Kushnir, Boitempo Editorial, que trata das relações especiais da Folha (e a Folha da Tarde) com a repressão dos anos militares. Octavio Frias Filho, publisher da Folha (da Tarde), não quis dar entrevista a Kushnir.

Fonte: Conversa Afiada
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