sexta-feira, 20 de julho de 2007

Palavras indignadas 1

Exterminador do Futuro!
Podem me chamar de revoltada, de adepta da teoria da conspiração, de outras tantas coisas. Provavelmente sou isso sim. Gente, não aguento essa cobertura absurda do acidente aéreo da Tam, o Serra se aproveitando da tragédia, o PSDB e aquela aberração do Arthur Virgilio dando chiliques como se tudo nesse pais fosse culpa do "Lula quatro dedos"(que é como a classe média paulistana adora chamá-lo). Alguém tem se perguntado quem, diabos, deu autorização para funcionar um mega posto de gasolina bem no final da cabeceira da pista do aeroporto? Como disse o Mino Carta, editor da Carta Capital, Bin Laden não teria imaginado coisa melhor. Ninguém se pergunta sobre essa voracidade sobre o dinheiro, sobre o lucro. Aviões cada vez maiores, a serviço de uma minoria abastada. Ninguém se pergunta sobre a forma agressiva de como a Tam e a Gol tem operado, sempre objetivando o lucro. Agora se constata defeito no avião. VCs sabem que até hoje varias das familias das vitimas do acidente da TAM, de 10 anos atrás não receberam as indenizações cabiveis?

Bem, acabo de ler um livro que fica batendo repetidamente na mesma tecla por quase todos os seus capitulos: o dinheiro compra tudo, governos e eleições, inclusive. O bendito ou maldito livro se chama: A MELHOR DEMOCRACIA QUE O DINHEIRO PODE COMPRAR. Junto com o documentário "The Corporation" dão a medida exata e desesperadora de como cada vez mais nossos direitos civis estão ameaçados por grandes corporações e governos corruptos, promiscuos, que assassinam, contaminam, poluem, corrompem, vendem e destroçam as mínimas conquistas democráticas que tanto lutamos para reaver.
Essa maldita herança da prostituta-mor, sr. FHC, toda essa privataria, essa herança neoliberal que deixou nosso imenso patrimônio e nossos mais básicos serviços públicos (luz, água, telefonia, gás) nas mãos de multinacionais e corporações sem ética alguma, apenas com o compromisso do lucro através de serviços toscos, preços abusivos e nenhum respeito com os cidadãos e consumidores. Quando vamos iniciar um mega boicote? Quando vamos parar de trocar toda hora de celular e parar de alimentar esses dragões famigerados da telefonia celular? Quando vamos acordar para essa extorsão sem fim?
de saco cheio de Folha, Estadão, Veja, Globo, Época, Isto E, essa grande midia a serviço de seus patrões. Não aguento mais essa midia golpista que tenta desestabilizar toda hora esse governo federal que tá muito longe de ser perfeito mas que ainda assim é bem melhor do que a herança maldita do PSDB. Até quando vamos nos permitir sermos "fuzilados" por caras como o Serra, que pretende a todo custo ocupar o trono de Rei, lá em Brasilia e acabar de vez com o pouco que nos resta de patrimônio público?
Essa midia que apenas representa a classe média e a minoria branca de São Paulo não contrubui em nada para a construção do debate, de um pais melhor e mais justo. Eles querem, a qualquer preço transformar um governo popular num verdadeiro caos oportunista, porque o PSDB vive de oportunismos, como foi o fatidico plano real.

ACM morreu. Depois dos três dias de luto por conta do acidente da TAM, gostaria de sugerir três semanas de EUFORIA NACIONAL com a morte desse coronel que tanto atentou contra nossa democracia. Já vai tarde um traste desse.
Sugiro para os amigos a leitura alternativa dos seguintes meios de comunicação:
1-Revista Forum - Outro mundo em debate. Nas bancas e no site: http://revistaforum.uol.com.br . Confira o Blog do Rovai, que é o editor da revista, lá no próprio site.
2-Revista Carta Capital - Editor Mino Carta, nas bancas e no site: http://www.cartacapital.com.br/ . Tem o Blog do Mino, que é bem interessante.
3-Revista Caros AMigos , nas bancas e no site: http://carosamigos.terra.com.br/
4- site de informações Agência Carta Maior: http://www.agenciacartamaior.com.br , com artigos de Emir Sader, Bernardo Kucinski e Boaventura de Sousa Santos, entre muitos outros.

Pessoal, isso é um desabafo. Espero que entendam. Vamos nos informar. Às vezes acho que o povo foi mordido por uma gigante mosca TSé Tsé, antes do golpe de 64 (vejam que os militares até hoje, dentro e fora dos quarteis, chamam aquilo de Revolução de 64) e nunca mais acordamos... Será que alguma hora acordaremos?

Um forte abraço revoltado. Vamos beber o difunto do ACM, já foi tarde essa aberração da natureza.

Alê


Serra e suas políticas Públicas:



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terça-feira, 27 de março de 2007

O amor está no ar

Ando pelas ruas do Butantã olhando para o céu, sorrindo para as pessoas, sorrindo para mim mesma. É fato, quando menos se espera acontecem as paixões. No meu caso, de onde eu menos esperava veio uma surpresa que faz meu ano recomeçar azul, rosa, amarelo. Me faz pensar que tenho que parar de pensar, parar de ter medo e ir vivendo o agora, sem planos nem projetos, porque assim o amor flui, sem posse, sem cobrança, sem egoísmo.
Nem sei para quem agradeço, mas costumo agradecer com frequência pela minha sorte e por ser a pessoa que sou. Por tudo que já passei, eu até que era para ser mais surtada.
Mas tenho a clara consciência de que só indo atrás de meus sonhos e meus desejos poderei ser plena e feliz. E isso inclui todo dia lidar com o medo, com a culpa, com a insegurança. Essas coisas todas que nos fazem neuróticos e estressados. Por ter ido atrás de quem eu desejava, estando essa pessoa fora dos guetos, ali, na rua, sem um rótulo na testa, me faz uma pessoa livre e feliz por não me prender a regras, códigos ou tabus.
Minha liberdade não tem preço.
O amor está no ar.

É isso, a Alê enamorada mais uma vez. Com um sorriso nos lábios...
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domingo, 4 de março de 2007

Uma noite de lua cheia com tambores e fogo!

Ontem os acontecimentos tiveram uma seqüência que eu jamais poderia sonhar. Tive uma experiência única, experimentei a liberdade de seguir meu instinto, dominar o medo e seguir certos tambores que insistiam em tocar madrugada adentro.
Inicialmente eu iria numa festa, no Embu. Eu já havia ido nesta casa, que fica no meio do mato. O objetivo da festa era o de contemplar a lua cheia, ficar perto do fogo, ouvir música e fazer novas amizades. Porém, fiquei com medo de me perder à noite, naquelas bandas. Como eu já havia prometido uma carona para duas amigas até a Raposo, fiz esse bonde, porém voltei rapidamente para meu canto escondido no Butantã, sem chegar à citada festa.
Já no meu quarto, devidamente paramentada para uma boa noite de sono, começo a ler o livro "Trevas no Eldorado - como cientistas e jornalistas devastaram a Amazônia e violentaram a cultura Ianomâmi". Esse livro foi o resultado da pesquisa de um americano, que durante dez anos esteve embrenhado na selva amazônica, para documentar uma das maiores tragédias da Antropologia moderna: a história de como os Ianomâmis foram descobertos por cientistas americanos e de como foram sendo dizimados, contaminados e corrompidos por um contato inescrupuloso com antropólogos como o americano Napoleon Chagnon e o francês Jacques Lizot. Já no começo do livro, se tem a clara noção que os vários antropólogos e pessoas que, durante muito ou algum tempo, tiveram a oportunidade de conviver com essas tribos isoladas e intactas, de algum modo, simplesmente, surtaram! Bom, este livro serviu de base para um documentário da Nadja, que mora comigo, chamado "Napepe". Estou lendo o livro para depois assistir o documentário.
De pijama, na cama, comecei a ouvir tambores, um tipo de flauta amazônica ou inca, mulheres cantando em coro... As músicas se alternavam: ora parecia que eu estava no meio de uma cerimônia inca, hora parecia que eu estava no Maranhão. Senti uma saudade imensa dos meus amigos do Rio e de Floripa e de todas as vezes que pude desfrutar de uma noite embalada a tambores tão genuinamente brasileiros. Nesse caso, me parecia haver uma festa em algum lugar pelas redondezas. A cada música, eu pensava nos rostos das pessoas que estariam ali, em suas danças e seus coros. A lua estava cheia e meu coração e meu cérebro queriam estar naquela festa, com pessoas que eu nunca vi.
Essa é uma história de como minha teimosia pode me proporcionar momentos de pura felicidade.
Troquei de roupa, munida de chave, chinelo e muita curiosidade de saber de onde vinha tanta alegria. Moro num vale, o eco não me permitia precisar de onde vinha o som dos tambores. Andei um pouco, localizei a direção do som mas nada de achar uma festa... Voltei para casa, frustradíssima, botei o pijama e continuei a ler.
O som ficou mais forte, mais instigante, e eu não conseguia ler ou pensar ou dormir. Eu queria muito estar lá. Saí de carro, dessa vez. Pensei que seria mais fácil, poderia investigar melhor, eu precisava entrar em contato com essas pessoas que no meu bairro estavam celebrando e tocando os ritmos que mais gosto: cacuriá, coco, afoxés, maracatus e outros tantos mais. Enquanto estava dando voltas pelo bairro, a música diminuiu e uma pausa foi dada. Assim, volto para casa, sem ter conseguido, de novo.
Pijama, livro, de novo os tambores. Nossa, fui ficando absolutamente fora de mim, inconformada, inquieta, insatisfeita. Eu sabia que havia uma festa ali perto e que eu queria poder estar perto, ver as pessoas dançarem. Mais uns dez minutos e eu saio de novo, agora decidida a achar de qualquer jeito. Rodei várias ruas, subi ladeiras, ligando e desligando o motor do carro para ouvir melhor de onde vinha o som. Finalmente descobri a casa. Parei o carro e fui até o portão. Na escada que descia até a casa, muitas velas, pedras, imagens de orixás. Penso então que se trata de uma festa religiosa, o que me deixa também feliz porque eu estive pensando em ir a um centro espírita, para uma consulta anual e saber que tinha um por perto me deixou contente. Mas não era um centro espírita. Me pendurei no portão para ver melhor o que acontecia lá embaixo quando vejo um homem subindo as escadas em minha direção. Pergunto a ele do que se tratava a comemoração ou se era uma festa religiosa. Ele me disse que as pessoas estavam celebrando a lua cheia, muitos percussionistas colombianos e do maranhão se revezando em tocar para todos dançarem. Conto a ele o motivo da minha ida e sou convidada a participar. Nossa, nem acreditei que tinha conseguido.
Havia uma fogueira, pessoas muito bonitas e felizes, mulheres de saias a rodar em volta dos tambores. Cheguei careta, com uma felicidade dentro de mim que mal cabia e a certeza de que valeu a pena chegar num lugar como aquele, sentar em volta da fogueira, deitar na grama e comtemplar a lua ao som de tambores que me remetiam a minha amada África, tudo isso com pessoas que eu nunca tinha visto na vida e que me acolheram de forma calorosa.
Conversei com várias pessoas, fiz amizades, fumei um banza, paquerei, encontrei uma pessoa que me conhecia, e o mais importante: segui meu instinto mais primitivo de estar perto do fogo, perto dos tambores, como faziam os antigos. Eles eram felizes e sabiam disso.
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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Minha terra querida.


Meu Rio de Janeiro, saudades do cheiro de mato.

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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Galeano

Não consigo dormir. Tenho uma mulher atravessada entre minhas pálpebras. Se pudesse, diria a ela que fosse embora; mas tenho uma mulher atravessada em minha garganta.

Eduardo Galeano
em O Livro dos Abraços
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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Hermann Hesse

Bem aventurado aquele que possui e permanece estável, o fiel, o virtuoso... eu posso invejá-lo. Mas perdi metade da minha vida imitando sua virtude. Eu quis ser o que não era. Apesar de querer ser poeta, também queria ser burguês... Demorou muito até eu saber que não se pode ser as duas coisas, que sou nômade, não camponês, sou alguém que procura, não alguém que guarda. Por muito tempo me mortifiquei diante dos deuses e leis que para mim não passavam de ídolos. Foi esse o meu erro, meu tormento, minha culpa compartilhada na miséria do mundo. Eu contribuí, aumentando-a, para a culpa e a tortura do mundo, violentando-me a mim mesmo.

Hermann Hesse

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O dia em que Júpiter encontrou Saturno

O dia que Júpiter encontrou Saturno

(...)
- Quando a noite chegar cedo e a neve cobrir as ruas, ficarei o dia inteiro na cama pensanso em dormir com você.
- Quando estiver muito quente, me dará uma moleza de balançar devagarinho na rede pensando em dormir com você.
- Vou te escrever carta e não mandar.
- Vou tentar recompor teu rosto sem conseguir.
- Vou ver Júpiter e me lembrar de você.
- Vou ver Saturno e me lembrar de você.
- Mesmo quando não estivessem mais juntos.
- Daqui a vinte anos voltarão a se encontrar.
- O tempo não existe.
- O tempo existe e devora.
- Vou procurar teu cheiro no corpo de outra mulher. Sem encontrar, porque terei esquecido. Alfazema?
- Alecrim. Quando eu olhar a noite enorme do Equador, pensarei se tudo isso foi um encontro ou uma despedida.
- E que uma palavra ou um gesto, seu ou meu, seria suficiente para modificar nossos roteiros.

silêncio

- Mas não seria natural.
- Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.
- Natural é encontrar. Natural é perder.
- Linhas paralelas se encontram no infinito.
- O infinito não acaba. O infinito é nunca.
- Ou sempre.

silêncio

- Tudo isso é muito abstrato. Está tocando Kiss, Kiss, Kiss. Por que você não me convida para dormimos juntos?
- Você quer dormir comigo?
- Não.
- Por que não é preciso?
- Porque não é preciso.

Caio Fernando Abreu
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Só Hoje

Só hoje

Só hoje eu vou comer doce
Só hoje eu vou transar sem camisinha
Só hoje eu vou nadar pelada
Só hoje vou ter desejos impróprios
Só hoje vou dizer que te amo
Só hoje vou pedalar sem capacete.
Só hoje vou dirigir bêbada
Só hoje vou andar descalça
Só hoje vou esquecer quem sou
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